O sol
lança sobre o mar
a sua luz delatora,
traidora involuntária,
tingindo de azul o culpado
de aportar em novas terras
o Homem.
Procura nos rios,
nas cachoeiras,
na beira dos precipícios,
nas lagoas, nos charcos,
na vegetação das restingas,
nos mangues, nas chapadas,
nas frestas da floresta
outrora verde,
úmida e virgem.
Procura na caatinga,
nas cavernas e grotas,
nas dunas e nas grutas,
nos veios da erosão.
Êta, pedra! êta, ita!,
virando pedra de brita,
estupro com dinamite
na beleza natural
de brilho estrelado ao sol.
Procura no índio triste
de calças jeans e havaianas,
os frutos verdes da história, -
as árvores diferentes
de onde pendem inertes
os irmãos adolescentes.
Procura na cabocla sestrosa,
barbie mestiça,
postiça,
a insultar a memória
de tênis e blusa rosa.
Procura n’oitão da casa,
na tarde quente, danada,
o nordestino valente
e o filho que criou asas
sonhando vida decente.
- Guará! Guará! Onde estás?
Há meninos,
não há lobos, nem mentiras
nesta triste história.
- Procuras o que procuro!,
geme a luz solar que arde,
atiçando o fogo vivo
a crepitar-lhe a morada.
Procura na terra fértil,
mãe que nutre,
e para quem sempre voltamos,
plantados como sementes,
regados na lágrima quente
de vidas
mais
ou menos evoluidas.
Onde a consciência,
a reserva das reservas,
em meio a clareira da dúvida?…
ju rigoni





