(Dr)ama
A história está em seu rosto,
em sulcos leves ou profundos,
sempre profanos,
tela em relevo
misturando tendências,
formas desconexas
a desarrumar a delicadeza do esboço,
outrora aquarelado pela aurora
e agora espatulado pelo ocaso.
Qual artista tem o talento do tempo
para traçar na face, com perfeição divina,
dores, amores, tormentos, -
e reter, fresca e brilhante,
no claro-escuro do olhar
a memória do ontem?
Mais bonita que ao espelho
me admiro em sua íris.
Ah, quanto tempo perdemos
e continuamos perdendo
em palavras e entrelinhas,
em toques sutis à pele,
no tilintar de brindes,
ou no estrondoso silêncio
deste mesmo e antigo drama.
Será que existe outra vida?
Será que a vida tem fim?
O que fazer? Oh, ai de mim
que não consigo plantar
nossas flores no mesmo jardim.
Novamente o sol se põe
e aqui permanecemos…
a sorver prazerosa,
preguiçosa
e perigosamente,
todos os tons deste vinho,
presente da tela celeste.
Pés fincados no chão
ignoram o horizonte
que pouco a pouco enegrece,
perpetua a trama
e acalma a gana
de escrever novo enredo.
É noite.
Quem sabe amanhã?
Haverá um amanhã?
Quem sabe?…
ju rigoni (sem registro de data)
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É tão bom passear por aqui…para enriquecer meu coração com palavras belas e mansas.Abraços