Mel e Sal
Por vezes,
(por meses),
eu… o mar
prá você navegar.
Nos olhos, a água
que escorre às pernas
anunciando o cais:
velejo contra o vento
que sopra antes do tempo.
As mãos
que abraçam o ventre,
não corrigem o curso,
não tomam o leme,
e há um líquido sal
a secar-me a boca.
O pensamento,
um carrasco,
barquinho em mar revolto, -
mas o espasmo doloroso,
marcado minuto a minuto,
traz-me de volta ao corpo.
Por vezes,
(por meses),
eu… o mar
prá você navegar.
Do rosto
lembro-me ainda
os lábios buscando o seio,
e eu dividida ao meio
mais inteira que jamais,
sempre e nunca mais sozinha.
Os pés…
tão bonitinhos!
Não lhes conheço os caminhos…
(Devo deixá-los ir,
preciso deixá-los seguir
esse rastro de mistérios…)
Veio à vida
vem-lhe as ondas,
tempestades, calmarias,
muitas velas a içar,
muito porto a alcançar,
até desaguar no rio,
até encontrar o boto
que vai transformá-la em mar…
ju rigoni
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