(”…delas é o reino dos Céus!”)
Carvoarias, canaviais,
lixões, olarias, puteiros…
Crianças escravas
dos escravos do dinheiro.
- Vai drops?
- Biscoito de vento?
- Compra, moço?… Pr’ajudar!
Há vida debaixo da ponte,
nas ruas, nos sinais de trânsito,
nos becos… Sem saída!
Fuzis, metralhadoras,
revólveres, granadas,
adrenalina… Sina.
Avião, vaporzinho,
ventinho… Asas nos pés.
E mãozinha esperta
que aperta o gatilho.
Molecada de recados, -
de morte anunciada.
Escudos
cegos, surdos e mudos
nos currais do poder
que não faz o dever de casa.
Reboco, barro, capim,
lixo, cacto,
fome negra.
Cascas de frutas,
farinha de resto, de folhas, -
misturinhas da miséria
com a falta de vergonha
para embotar a fome:
quem sabe dar-lhe outro nome?…
Mastigam e engolem piedade.
O Estado é caviar, -
nunca lhe sentem o gosto!
A não ser quando transgridem
para matar o que as mata.
ju rigoni em set/1998






em
Fantásticos: o blog e o conjunto dos poemas que li (apenas uns 5 ou 6, até aqui. Mas voltarei depois para ler mais). Seus textos esbanjam originalidade, domínio da Língua e, claro, talento. Adoro poemas de caráter social, em que o poeta expressa o mundo ao redor, as coisas que percebe e o incomodam.
Grande abraço, Poeta!
André L. Soares.