Alcance

O tempo é o mudo que fala demais.
É o surdo que tudo ouve.
O cego que vê através…

Ação!
O tempo é verbo.
No gerúndio.
Ele vai passando…
E quando me olho ao espelho
tenho certeza:
no rosto é concreto, -
demasiado -,
mais que substantivo.

O tempo é reticências…
É ponto de interrogação.
O tempo é pontuação sim,
embora não haja pausa,
respiração, -
não há vírgulas para o anfitrião
da vida.

O tempo é o senhor da Memória:
senhor do infinito…
Só o tempo sobreviverá
ao fim de toda História.

Prepotente, onipresente,
vai-se rindo da gente
porque o tempo jamais chora.

Para o tempo de que falo
não há hora, não há clima,
tampouco há sentimento:
ele é duro, tenaz, fugaz,
não admite lugar-comum,
rimas, redundâncias…

O tempo, tal qual a morte,
é o grande mistério da vida
(Talvez ambos nem existam!…)
É acorde dissonante
este significante
de tanto significado.

Tormento de jovens e idosos, -
uns querem que passe depressa
e outros que ele não passe.

Mas o tempo vai passando…
que o tempo não perde tempo:
sua natureza é passar.

E enquanto você está lendo
estas linhas tresloucadas
esvai-se um bocado de tempo
que jamais há de voltar…

ju rigoni (2004)

foto by Mell

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  1. . às 17:21 | #1

    Lindo e foto linda. Bom para começar o dia. Beijos

  2. . às 0:52 | #2

    Belo, para não variar :)
    Por isso é que eu tento sempre aproveitar ao máximo o tempo e a vida, que é para não me poder queixar quando não tiver tempo.

    Bejinhos do outro lado do Atlântico!

  3. . às 22:00 | #3

    Sabe o que eu mais gosto nos teus poemas. É como vc consegue escrever tão bens de coisas que estão fora de você, o tempo, passaros, lugares…. Como vc ve o mundo e o coloca em linhas! Muito bom! Bjs

  4. . às 7:55 | #4

    O tempo não existe.É apenas o movimento de rotação e translação.

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