Fofoca

Não adianta!
Não lhe encontro os defeitos.
Eu olho, espreito… e nada!
Ele é perfeito!

E quando me deito ao seu lado…

Eu sou eu
e nenhuma outra lhe dirá ao ouvido
as mesmas palavras.
Ninguém mais o tocará como eu.
Trocar-me seria tocar-se
por um rosto mais liso,
um corpo mais bonito,
um metacrilato,
um silicone qualquer…
Uma insensibilidade!

Trocar-me seria trocar-se.
Por nada.
Por essa vida entre aspas
que se exibe em vitrinas
e se compra com plástico?…

Trocar-me seria trocar famílias,
amigos, - afetos e desafetos -,
os livros, as músicas,
o restaurante e o bar prediletos.

Não há outra que valha isto!
Não acredito.
Sou eu a mulher
por quem sempre procurou.

(Ah, essa língua ferina
que melhor faria
se soubesse como
e o que fazer
para dar e encontrar prazer…)

Deixar-me seria retomar a busca
pelo que já tem.
Ele não seria tão burro!…
Tomam-no pelo que jamais foi…

(E o pior é que… Droga!
Basta uma aranha
para tecer toda uma teia.)

Quantas vezes
tive ímpetos de abelha-rainha
em vôo nupcial?…
Meu homem deve ser plural
para ser singular,
ou nada mais será.
Quem sabe apenas mais um
dentre meus zangões.

Ele é perfeito.
Eu não!

(Talvez eu o mate!…)

ju rigoni (2002)

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  1. . às 1:12 | #1

    Confesso que não tenho o ritmo de leitura para uma poesia, mas gostei muito “Meu homem deve ser plural para ser singular”. E acho que se esse homem existe assim da forma que imagina que o ser humano precisa ser plural, ele é realmente é perfeito. E faz coro contigo: também não sou perfeita…

    Tomare que vc seja uma abelha-rainha com muitos zangões em busca da pluralidade. legal te conhecer! volto qdo puder!
    Bjkas

  2. . às 15:44 | #2

    Fantastico doce poeta! Bjus-

  3. . às 1:41 | #3

    Adorei!
    Belissimo!

    Que bom sem defeitos, o amor não os encontra.

    Beijos e bom fim de semana
    Se não se importa ,vou colocar seu blog nos meus favoritos.

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