Andor e Barro
A janela aberta é moldura
para um céu pesado.
Já não é verde a lagoa,
nem azul o mar.
Ondas gigantescas
orquestram este dia.
Elas vêm
e jogam-se com violência
à areia que, – coitadinha! -,
ainda que não o deseje,
faz coro nessa ladainha.
A apreensão paira no ar…
Não se dilui
com a chuva que cai
sobre a gente do lugar,
que segue em procissão,
pisando lama multicor, -
sofridos fiéis,
confiando
o peso de suas dores
àqueles deuses
em estranhos andores,
e trazendo pelas mãos,
ou carregando ao colo,
crianças… esperanças.
As montanhas estão cobertas
por uma névoa
que não deveria estar ali.
É um dia cinza,
sem qualquer mágica,
mas denso em feitiçarias.
Dia de caldeirões,
de bruxarias,
de muitos pedidos
e orações.
Dia em que todas as cores
têm qualquer coisa de neutras.
Aqui, ali, acolá… a dúvida.
A dúvida também é cinza.
Pode-se vê-la
na expressão das pessoas,
senti-la
em suas conversas ao pé do ouvido…
Véus… Mistérios.
Em fila, os fiéis aguardam
a hora da comunhão secreta.
Um por um, todos visitam
o improvisado confessionário.
Em mãos tantas divindades…
Para qual delas rezar?
São todos tão… santos.
Como escolher um, dentre tantos,
sem que se caia em pecado?
Não há coroinhas,
mas o som irritante
põe fim à celebração.
E a procissão
serpenteia
o caminho de volta.
Ide, irmãos, em paz!
E que os senhores
os acompanhem, -
na esperança,
na necessidade,
na precisão, na vontade…
Agora é a vez do vento,
que, em desafino,
tenta, em vão,
arremedar a voz do mar…
ju rigoni (sem registro de data)
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Oiii
Só passando para desejar um belo domingo.
Abraços
Olá, Ju!
Gosto muito do seu blogue, ou não fosse eu apreciadora de poesia.
Obrigada por partilhá-la connosco.
Um beijo,
Milouska
PS – Vou linkar o seu blogue ao meu para assim ficarmos mais perto. Espero que não leve a mal a minha ousadia…
Lindo, Ju!
Bjs.