Gostosinho…

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Pra lá, pra cá,
pra lá, pra cá…

Ai, ai, ai…
Ui, ui, ui…

E os olhos da rapaziada
cravados nas duas metades
que fazem crescer
não apenas as vontades…

A moça, o olhar distante…
vai passando displicente,
o passo indolente,
o rebolado
involuntariamente(?) indecente,
e um ar inocente
de quem não sabe de nada…

pra lá, pra cá,
pra lá, pra cá
pra lá, pra cá…

E os olhos só não esbugalham
porque, ao contrário da língua,
- todinha de fora -,
caíram a meio palmo…

ai, ui, ai, ui…
ai, ai, ai…
ui, ui, ui…

De oito a oitenta,
o olhar pidão,
o pescoço torcendo,
a boca aberta,
a baba escorrendo,
e o pensamento…
ah, o pensamento!…

- Que monumento!
- Que avião!
- Que bombardeio!
- Que tesão!

E lá vai a moça enluarada,
de quartos crescentes,
jamais minguantes!…
Totalmente alheia
à luz brilhante, insinuante,
cativante,
da lua que é sua
e de tão cheia
revela-se nua
na noite vestida de desejo…

aaai…
uuui…

Mas, quem vem lá?…

Que homem?!
Aquele do corpo malhado,
do bumbum arrebitado,
do rosto bonito, -
ossos bem estruturados…
Que sorriso, hein!?…
De-mo-li-dor!!!
Ele sabe o que o ar de menino
é capaz de causar ao mundo feminino.
Arma a cara do filho-sem-mãe…
- Tadinho!
Não falta quem queira dar-lhe um colinho.

E lá vai ele,
como quem não quer nada.
explodindo os hormônios
da mulherada.

- Que monumento!
- Que avião!
- Que bombardeio!
- Que tesão!

Mesa no calçadão,
conversa jogada fora, -
petiscos, muita cerveja e uísque…
dá nisso!
Nenhum compromisso.

Riso frouxo,
no olhar um puta radar,
detectando o impossível
dos dias de muita labuta.

Amigos reunidos,
a crítica atravessada,
muita conversa ao léu
em meio ao zum-zum
das mesas lotadas
atravancando as calçadas,
e a certeza
de que em nenhum outro dia
da semana
se consegue ser tão alienado…
ou tão sacana.

ju rigoni (1998)

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  1. . às 5:25 | #1

    Ju:

    Muito legal! Adorei o poema, como aliás gosto de tudo o que você escreve. Admiro quem consegue transformar em poesia os fatos mais corriqueiros da vida, e você tem esse dom.
    Beijos, menina talentosa

  2. . às 22:33 | #2

    Achei muito interessante, principalmente os jogos das palavras. Ex: “quartos” crescentes.

    abraços

  3. . às 16:20 | #3

    Olá, Ju!

    Que belo poema este!
    Tem um ritmo extraordinário.
    A descrição das situaçoes é perfeita.
    Parabéns, minha amiga!
    Que bom é sempre ler os seus textos!…
    Um grande beijo,

    Milouska

  4. . às 9:55 | #4

    Ju, fiquei com vontade de “dar colinho” ao bonitão, hehe. Saudades tuas que eu estava, obrigada pelos comentários lá no blog. Voltei a estudar, lembra que estou naquela fase de querer fazer tudo aquilo que sempre quis? Pois então. Cursinho pré-vestibular, uma balzaca no meio da multidão de adolescentes, Jornalismo me espera. Mas nos finais de semana (o meu começa na sexta), terei um tempinho para visitar os amigos. Beijos, és uma amiga especial.

  5. . às 0:55 | #5

    Em ritmo de olhares e
    sensações da atrações

    Gostei!!!!

    @dis-cursos

  6. . às 18:55 | #6

    Caraca, Ju,…

    Li seu poema e bateu uma saudade tão grande de Copacabana,… quase matou o amor que tenho por Guarapari. Eu que vivi a infância e a adolescência ali, na Viveiros de Castro, brincando e estudando na Praça do Lido, até hoje não conseguir apagar em mim esse bairro e esse calçadão fascinantes.

    Que poder tem a poesia.

    Um beijo pra você, Poetisa!

    André L. Soares.

  7. . às 15:42 | #7

    Oi Ju,

    Adorei me sentar nessa mesa no calçadão!

    Abraços,
    Iêda

  8. . às 16:45 | #8

    Aqui há poesia, ritmo e cores. Um regalo para os sentidos.

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