Lembranças em Sépia
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- Juízo, hein meninas!… -, recomendava Vó Dinha a mamãe e Tia Mercedes quando iam para a escola que ficava num lugarejo perdido no tempo bem pertinho da fazenda.
Era a Preta Bá quem as acompanhava todos os dias. Ciosa de seus deveres, enquanto “nhazinhas” estudavam ela matava o tempo sentada em frente à tendinha.
(Anos depois, Tia Mercedes mostrou-me uma das primeiras telas que pintara. Lá estava uma preta velha e roliça, descalça, sentada numa espécie de calçada de um barro amarelo, – as pernas displiscentemente entreabertas, guardando a roda do vestido. Um pano branco amarrado à cabeça, um fiapo de capim entre os lábios muito grossos, quase encostados no nariz abatatado, e o olhar perdido no tempo.)
Quando o velho sino tocava, Preta Bá cuspia o matinho, trazia os cavalos até a porta da escola. Ajudava as meninas a montar. Depois abria e içava, primeiro, a sombrinha de mamãe, em seguida a de Tia Mercedes que ficava a observá-la como se faltasse alguma coisa…
Preta Bá acercava-se então do cansado Pacífico. Dava as costas para o lado do animal, colocava o calcanhar no estribo, e ficava subindo e descendo numa tentativa vã de alcançar a sela.
- Acode, nhá Teresa!
Tia Mercedes olhava de modo travesso para mamãe enquanto corriam a prestar socorro à tão amada Bá. Depois de finalmente acomodá-la sobre o cavalo voltavam a montar, – sozinhas e com desenvoltura.
E lá iam as três no lento trotear…
ju rigoni (sem registro de data)
Imagem em Pastel Seco – de Tatiana Pailos
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