Exílio

Eles já nem apalpam, –
olham por detrás da mesa,
e escrevem num bloquinho
palavras que amedrontam,
que invadem o corpo,
buscando, pesquisando,
em tubos de ensaio, tomógrafo,
raios-x ou ressonância.
(É lícito o toque de mãos?)

Ah, saudade do riso
da criança que um dia foi,
das cores como elas eram,
da energia, das pernas
correndo para o abraço, –
os cabelos tão brilhantes,
tão sedosos e fartos,…
e agora, assim,… tão parcos!
Ah, saudade do espelho!…

Eles, deuses, tudo sabem
e decidem o destino…
Apontam a direção
que se deve seguir,
sem desvios.
Dizem que é proibido
ir para direita ou esquerda,
para cima ou para baixo.
E voltar atrás…
Nunca mais!
Ah, saudade da dúvida!…

Restam-lhe apenas a dor,
as lembranças do que foi,
e uma estranha compulsão
pela imortalidade.
Agora, tudo que pode
é fazer rir ou chorar
conjugando, e não agindo.
Escrevendo e se apagando…
Ah, saudade da vida!…

ju rigoni (jan/2002)

Visite também Fundo de Mim II, Dormentes e Medo de Avião.

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