Soprando os Calos

"Balões." Lápis seco e lápis aquarelável.

“Balões.” Lápis seco e lápis aquarelável.

Sou vento
e como tal
ora brisa,
ora vendaval.

Sopro em todas as direções,
flerto com o sol e com a lua,
reviro marés,
encrespo,
amanso,
transformo,
destruo,
construo,
mudo…

Na ânsia do sopro certo
reformo dunas,
embarrigo velas,
reviro embarcações,
derrubo aeronaves,
desfaço telhados,
– tornado sou.

Tufão,
furacão,
aragem…

Faço,
desfaço
e refaço
quando quero
e como desejo,
e não há quem possa
com a tenacidade
do vento que sou,
que erra
em busca de acertos, –
feliz infelicidade.

Não há mar que me resista,
nem campo que fique de pé
à minha passagem.
Porque sou vento
e como tal
transparente,
incontida,
alucinada, –
e definitivamente -,
moinho e sal
da minha vida.

ju rigoni (em nov/89)

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  1. 19/10/2008 às 23:42

    Olá!!! Vim aqui através do Oscar e gostei muito do seu espaço, voltarei se me permitir.
    Adorei o poema, acho que sou um pouco assim também!!!
    Um beijo e uma linda semana pra vc.
    ROBERTA

  2. Marcia
    22/06/2009 às 11:30

    Procurando desenhos eis que sem querer encontro balões, e tal qual… como grata surpresa senti uma aragem soprando meus calos, fiquei extasiada e sómente me deixei ficar parada,apenas lendo e relendo cada palavra, dificil não se identificar.
    Parabens, adorei tua poesia essa e algumas outras que li, voltarei com mais tempo.

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