Zora


z8

Chego em casa
e ela corre para mim com os braços abertos.
– Vovó! –  ela exclama.

Além da saudade e das lembranças,
da saúde ora frágil ora forte,
– dos trecos…
já muito não me sobra da ascendência.

Mas quando em seus três anos de sabedoria,
ela abre os braços e espalma as pequeninas mãos,
sorrindo para esta avó-brinquedo,
é como se todos estivessem de volta.

Ganham nova vida
meu pai, meus avós, meus tios…
E eu ganho vida em vida.

Ouço seus passinhos correndo pela casa,
pelo jardim…
– Não mexa aí, querida!
Qual borboletinha feliz resiste às flores?
Quais cores resistem à luz?
Assim, tão perto,
às vezes me confunde…
Quando longe,
meu valioso monet,
de cabelos de anjo, único…
Nela a luz que me permite a cor
em todos os seus matizes.

Expectante,
e crente em Deus,
agradeço a ternura,
a delicadeza,
a certeza de que me apago
para escrever melhor história…
Que a memória,
não apenas na palavra,
também está no gesto,
no olhar,
no paladar das receitas de família,
nos cheiros e sons que guarda uma casa,
onde algum dia também ela me reencontrará
para descobrir que a amei
e que nela me refiz,
feliz ,
aprendiz de imortalidade.

ju rigoni (Para Zora, minha neta muito amada.)

Visite também Fundo de Mim II,   Dormentes Navegando…

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