Nó Míope

no-c

Vivem nela
o passarinho e a serpente,
o dileto dialeto,
o canto, o encantamento,
as penas, as escamas,
o rastejo, o vôo,
a força mandibular,
o insinuante biquinho.

…A paralisia e a inquietude,
em misterioso equilíbrio,
a indefesa certeza
ao reconhecer-se na presa.

…O calor da charada
e a muda epidérmica, –
o sanque frio,
a sanha inoculadora
e o travo de pessimismo
com jeito de peçonha.

…O humor da estação,
a sorte da arribação,
a febre de polinizar,
e a presteza do bote, –
um fogo que antecede,
mas não derrete
o gelo do ponto final.

…A angústia do desejo,
o vermelho da rosa
e o espinho da desconfiança;
o pronome possessivo
e o verbo no imperativo.

…A cama, a chama,
o laço, a falta de espaço,
a metáfora, o pleonasmo,
a verdade reticente,
e um plural singular.

E tudo que nela vive,
sentenças e enigmas, –
sem hífens ou vírgulas,
sem fígado ou pulmões,
não resiste a um novo parágrafo,
ou ao travo dos travessões…

ju rigoni (1989)

Foto Mell

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N.A. – Para evitar problemas, informo que, neste blogue, o Akismet está deletando todos os comentários que possuam mais de um linque sem me permitir a chance de conhecer seu autor e conteúdo. Peço desculpas se, porventura, algum comentário dos amigos que me lêem foi omitido. Não o foi por minha vontade.  Bjs e inté!

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  1. 01/12/2008 às 4:26

    E vive a vida, o ser humano, com suas dualidades.

    boa semana! bjs

  2. Samantha
    02/12/2008 às 2:32

    Oie
    Tem selo pra vc lá no blog.
    beijão

    desenrola muié rsrsrs

  3. 02/12/2008 às 20:48

    E Deus se encarnou…

    linda essa junção, o sentimento…

    bjs

  4. 03/12/2008 às 23:42

    Bela produção.Quanto aos comentários nada contra a pessoa divulgar todos os seus blogues, o que não pode é ofender como alguns costumam fazer e de forma anônima.

  5. 04/12/2008 às 1:02

    Bom vê-la por aqui novamente, Magui.

    Só mais um esclarecimento, porque talvez não me tenha feito entender ainda.

    Eu não me importo de divulgar outros blogues aqui no Fundo. E até há comentários, em alguns de meus posts anteriores, que foram aceitos com os devidos linques. A questão não está aí, nos linques. Está no fato de que o Akismet simplesmente deleta os comentários que possuam mais de um linque sem , antes, me dar a oportunidade de conhecer o conteúdo do comentário ou seu autor.

    Bjs em todos. Inté!

  6. Samantha
    04/12/2008 às 4:57

    Ju… vc é uma dádiva de Deus sabia?
    dolo o cê
    beijão e brigadim pela forcinha 🙂

  7. 04/12/2008 às 21:35

    Ju, além da beleza dessa construção poética, que é ‘sonora”cantante’ (devia ser musicada – se é que já não foi, só você pode dizer), noto que completa já quase 20 anos essa composição. E, se ainda hoje é por demais moderna; fico imaginando qual teria sido o impacto desse poema, se revelado – assim como é hoje, a todos – àquela época. Esse poema transcende mesmo ao tempo e aos estilos. Está muito acima disso.

    Grande abraço, Poetisa!

  8. 06/12/2008 às 5:16

    Menina!! Que construção linda!!! Vc tem tudo para escrever um livro de poesias e poemas.Pode escrever, eu divulgo e compro.Beijos e inté!!!!

  9. 10/12/2008 às 3:08

    Lindo, Ju! Eu me identifiquei com o poema: “E tudo que nela vive, sentenças e enigmas, – sem vírgulas ou travessões, sem fígado ou pulmões, não resiste a um novo parágrafo, ou à interferência de um hifen…” Sou impulsiva, apressada, sem intervalos e nem vírgulas.
    Beijos.

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