Flor Fatal

be1

Penetra com os olhos
a virgem orquídea,
e revela o segredo
oculto na brancura diáfana:
as crenças, os amores,
as cores…
que ao outro negamos.

Nela habitam
todos os lados,
todos os medos,
todos os nãos, –
tudo que se rega
no inconsciente,
mas à flor da mente
se renega.

(Sempre à espreita,
ávidas de mistérios
nos quais se deleitam,
lá estão as pragas
do preconceito.)

A verdade é como sereno
ao cair da noite,
(ou como o orvalho
ao levantar da aurora),
tudo se molha
para secar de vontades
ao sol intransigente
do meio-dia seguinte.

Orquídeas
vivem nas florestas,
nas rochas,
nos jardins sombreados,
entranhadas em xaxins,
ou abraçando troncos
como se abraça o ente querido.

Ao desabrochar,
encobrem flores
sobre flores,
cores sobre cores,
mas não escondem
a métrica do ser
ou do estar:
também ressecam
e morrem.

As raras
criam-se em estufas,
protegidas.
Exigem certa umidade,
certa luz, certo cuidado,
certa compreensão,
certo amor.

São milagres que se abrem
uma ou duas vezes por ano,
à reflexão,
ao olhar corajoso,
de quem sabe sua a própria vida.

ju rigoni (Anos 80)

Foto Bernardo Castanho

Visite também Fundo de Mim II, Dormentes e Medo de Avião.

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  1. paliativo
    20/09/2009 às 23:19

    viver é brotar!

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