A Espera

interrogacao-detalhe

Ele está em todo lugar.
Mas não onde deveria estar…

É um fato curioso
esse desaparecer
que, às vezes,
torna alguém famoso…

Desaparecer,… aparecer…
Deve haver aí,
entre uma e outra palavra,
uma terceira…
que também desapareceu.
Pois como dois significantes
podem ser tão insignificantes
em seus inerentes significados
diante das autoridades?…

Felizmente, entre antônimos,
há sempre um anônimo, –
o sujeito que pratica a ação
sem demora.

A mãe que procura o filho.
O filho que procura o irmão.
O irmão que procura o pai.
O pai que procura o primo.
O amigo que procura o amigo…
Que procura,… que procura…

Que procura!…

E nada! Só a esperança,
companheira de fé
das horas difíceis da vida,
e o desconhecido
da tormentosa jornada…

Os dias… noites são.
É sempre tarde pra que haja sol…
Não há manhãs, auroras –
amanhãs…

– A qualquer momento…

Há amigos e parentes,
e gente que nunca se viu, –
ecumênica reunião
em conexão com o impossível…

Há nefastas transparências,
e uma ausência que grita
– Presente!,
enquanto o tempo passa…

Há sons, –
melhor não existissem
essas palavras que não se quer ouvir
nem em pensamentos…

Não se respira na reflexão, –
no “se”…

E se isso?… E se aquilo?…
Comeu? Bebeu?
Chorou? Dormiu?…

O que pode estar fazendo agora?
Oh, meu Deus!
Oh, meu Deus!
Está sendo maltratado?…
Está vivo? Morreu?…

Há dores de um lado e de outro…
Ao meio, outras dores
que grudam no peito…
À madrugada, o receio insone…
velando o telefone.

Na moldura,
o retrato sob o vidro,
que a mãe,
olhos marejados -,
cuidadosamente limpou.
Ah, o medo infinito
do que virá por detrás da notícia:

– Acabou!

ju rigoni (1996)

Imagem:  “Dúvida”  (detalhe)  –  Lápis seco e lápis aquarelável.

Visite  também  Fundo de Mim IIDormentesMedo de AviãoNavegando…

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  1. 02/10/2009 às 1:08

    “Há nefastas transparências,
    e uma ausência que grita
    – Presente!,
    enquanto o tempo passa…”

    Só resta-me acreditar que o amor também é uma saudade e uma saudade incondicional.
    Cada travessia com o fundo de mim faz encher minha taça… Engraçado, se entro aqui com ela vazia saio com ela transbordando. É bênção, é jardim!

    Beijosssssssss

  2. 02/10/2009 às 23:14

    De Fato é um poema que nos faz transcender !!!

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