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Archive for the ‘Comportamento’ Category

Baba

08/08/2010 3 comentários

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Entre risos, lágrimas,
letras em cinzas…
Entre erros e acertos ,
uma escola…
A composição do vento, –
meu jazz, meu bolero,
meu blues…
harmonia e lamento…

Ah, o aroma do quibe, –
do hommus, do tabule…
Belewa e ataif de sobremesa…
Quase posso ver…
meu pai novamente à mesa.

Milagres de olfato e paladar;
contrassenso dos sentidos…
Delicio-me nas memórias, –
em meio aos brindes
e ao tilintar dos talheres,
o sabor das histórias…

Nesse pão sem miolo,
desmiola-se minha razão…
Coalhada, azeite, limão…
hummm!…

Meu pai no céu…
da minha boca,
e para sempre
no meu coração…

ju rigoni (2003)

Imagem: Meu pai e eu. Nanquim.

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Tudo Outra Vez…

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Desligue-se das retóricas,
ou contraia-se em cólicas.
É tempo de persuasão.
Aí vem o circo,
sua troupe,
e seu pão (dormido) de ocasião, –
a embrulhar estômagos
com papelão e fita.

As mentiras são as mesmas.
Tantas…
e ditas com tanta convicção
que até o mentiroso acredita!

E se o argumento não é bom,
tem churrasco, botina, dentadura,
tijolo, cimento…
E sorriso também é brinde
na lustrosa cara de pau.

ju rigoni (2006)
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Mesmice

25/07/2010 2 comentários

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Teu olhar atravessa
o vazio.
Sempre do mesmo modo.
Sempre do mesmo lado,
errado.
Imóvel,
teu olhar desbota
no porta-retrato;
pressionado, espremido
entre a madeira e o vidro.

Estático, irreal,
teu olhar atravessa
os vazios de um (in)cômodo cheio…
Sempre do mesmo jeito.
Sempre do mesmo lado,
errado.

Bem feito!

ju rigoni (1981)

reeditado

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Parêntesis

11/07/2010 1 comentário

Mell f400

No verbo…
havemo-nos, –
existimos
ou não…

Conjugamo-nos…
em singulares plurais.

Metaforizamo-nos…
para sermos menos
ou mais
do que realmente somos…

ju rigoni (2002)

Foto Mell

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Do Medo…

04/07/2010 1 comentário

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O medo
é um sentimento frio…
Por fora,
desarruma telhas,
resfria a pele,
despenteia.

Por dentro,
desloca o centro,
faz tremer,
trancafia…

O medo cala;
extingue a palavra
falada e escrita.

enquanto o pensamento grita, –
obrigado
à morte em vida.

Sabe-se onde ele nasce,
cresce;
onde deve morrer…

Sabe-se
quem lhe dá poder…

Mas evita-se
o espelho…

ju rigoni (1980)

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Até Quando?…

22/05/2010 3 comentários

O sangue deve correr nas veias
e não das teias
que o toureiro trama
e derrama
sobre a multidão,
– afiada espada
que ao touro tortura.

Não há banderillas
para cravar na memória
da crueldade pelo sorriso insano,
pelo grito que mata
toda nossa fé na humanidade.
Olé???

ju rigoni (sem registro de data)

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PalavrAção

16/05/2010 1 comentário


Palavras fomos.
Palavras somos.
Palavras seremos
quando serenos,
inertes,
na calmaria da morte,
alguém,
por sorte ainda vivo,
declarar,
alto e bom som:

– Que expressão tão tranquila!…

ju rigoni (sem registro de data)

Imagem obtida Aqui.

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