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Archive for the ‘Viagem ao Fundo…’ Category

N.A.

15/08/2010 1 comentário

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Fundo de Mim está em novo endereço: – http://jurigoni.blogspot.com

As atualizações feitas por aqui, geralmente aos domingos,

são, em sua maioria, republicações de conteúdo que, aos poucos,

está sendo transferido para a nova casa.

Obrigada pela sua visita!

.
Esta semana meu poema Encantamento
vive um “Momento Ímpar”.
Onde? Lá no Conto-Gotas
da escritora e poeta Eliane F.C. Lima
que, pela segunda vez,
brinda-me com seu olhar acurado.
Clique aqui para ler o conto.
E aqui para ver minha poesia comentada
no Literatura em Vida.
Eliane, de novo, obrigada!

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Fundo de Mim (em novo endereço), Dormentes,

Medo de Avião, Navegando…

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Vício

18/07/2010 3 comentários

.

Liberta,
a prisioneira que me aprisiona
vem por entre os lábios para a luz.

Leve…
Sinuosa…
Sutil…
Poderosa,…

quase não a vejo…
dançando assim, ante meus olhos cansados,
os nefastos azuis da minha sorte…

ju rigoni (sem registro de data)

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Assim, não!

04/04/2010 2 comentários

Puta! – ele reclama,
porque esbarrei noutro macho
que me pariu nova vida.

Não lhe dei explicação…
Dei-me, simplesmente,
a alguém que não ele.

Meretriz! – ele me chama.
Porque me meti noutra cama
tentando ser mais feliz.

Oh! Santa iniqüidade…
ser puta na minha idade!?
Por que não fui puta antes?

Coitado!
Foi tão humilhado;
não se faz isso com um homem…

ju rigoni (sem registro de data)

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Insônia

12/12/2009 2 comentários

É voz grave e persistente
que atravessa a madrugada
traindo e abstraindo
a solidão da jornada.

A areia é sereia
em grãos.
Quando ele foge,
ela canta
o chiado encanto,
e… ei-lo de volta.

Temperamental, poderoso,
sem pudor, penetra o meu sono.
Imenso, voluptuoso,
é gozo nas minhas manhãs…
Tranquilo ou revolto
entoa o mantra azul
que fascina e ensina
que… não!
Nada se repete.

Tão cheio de vida,
tão pleno de morte.
Enchendo e esvaziando,
chegando e partindo…
Por que ele vem?
Por que ele vai?…

Esse mar,
testemunha de histórias,
é História que alimenta,
mata,
molha,
resseca,
embala.

Mar…
Ah, mar…
Gigantesco útero a céu aberto,
capaz de tanta vida
que não vem à luz…

Que poder tem esse som,
esse tom tão grave, –
essa voz em sal e água
a espantar o sono
acordando sonhos…

O sol o ilumina,
a lua o domina,
mas só ao divino se abre…

O princípio é mar,…
e o homem, fascinado,
a atravessar o verbo
sonhando com o outro lado;
a entender a vida
aprendendo a morte, –
sorte de quem respira,
destino de velho e menino.

(Velho e menino têm sedes,
mas não é de seda a rede
que pode matar-lhes as fomes…)

Mar…
Ah, mar…

Sob quartos crescentes
de luas insones
flutuam seus humores;
sal, pimenta, algum açúcar, –
calmarias e tormentas -,
sabores ao gosto
das almas despertas
dos poetas,
seus mais insaciáveis amantes;
seus eternos navegadores…

Mar,
ah, mar…

ju rigoni (1999)

Imagem: “Meu mar…” – Óleo sobre tela – Tatiana Pailos

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No Céu da Memória

29/11/2009 2 comentários

Cabelos ralos,
tão branquinhos,
ao vento leve
da noite clara…
Olhos lá em cima,
na lua antiga…
O pescoço dói,
a mente flutua,
o tempo gira
fora do eixo…

Saudades
da dona do dedo
que apontava
o santo e o dragão…

Velho e cansado
o corpo treme,
espreme-se em memórias,…
liquidifica o pensamento
e qualquer palavra
que se diga…

Saudades da dona do dedo
que apontava o caminho…
Quanto mais trêmula a voz
mais bonitas as histórias…

Dias de pura magia…
Céu coalhado de poesia
e ingênua esperança…
Infinitas estrelas…
Quase tantas
quanto os sonhos
de criança…

(Entre um cochilo e outro,
a voz que é estorvo e carinho:
– Vovó! Dormindo de novo?!
– Não! Não estava dormindo!
Só estava recordando…
– Lembrar pode doer, vovó…
– Querida,
já tenho idade para saber
que toda saudade
combina dor e prazer…)

Saudades
da dona do dedo
que apontava o santo,
o dragão,
o caminho…

A lua, as estrelas, o céu,
o jardim…
nunca mais serão os mesmos…

(- Vó, vamos entrar…
A noite está ficando muito fria…)

ju rigoni (2002)

Para Dora, minha inesquecível avó materna.

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Amor de Passarinho

23/08/2009 7 comentários

Passaros casal prenda Victor Maia

Amor de passarinho
nada tem de pequenininho…
Tem ternura,  asas,  leveza,
biquinhos,  delicadeza,
a dimensão do céu,
a força da natureza…
Canto, ninho, cor e ar…

Muito ar…

Que amor
quando é amor
deixa o outro respirar…

ju rigoni (sem registro de data)

Foto Victor Maia


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Travessia

21/04/2009 3 comentários

barca

A barca atraca,
os homens correm,
invadem a proa,
enquanto a garoa
singrando o vento,
encharca o tempo
e as pessoas.

(Um homem
vagueia no porto.
Pálido, esquálido,
semimorto, embarca…)

A barca é lenta,
a barca é parca,
pra tanta marca
da gente farta
e sonolenta.

Para um lado, para o outro…
Para cima, para baixo…
Para frente, para trás…
(Ai, que enjôo!…)
A barca joga
com o destino,
feito a bola do menino
sentado e quieto ao meu lado.

Quem lhe ensina o movimento?
A maré, esta sábia
que seca ou enxágua,
e não quer saber
de alegria ou mágoa,
apenas do vento, da lua,
do tempo.

Bendita barca
que leva e traz
esperança, paz,
trabalho, vida.

Maldita barca
Que traz e leva
desdita, dor,
desespero, morte.

(O homem do porto
está frio, jaz morto
na manhã de segunda-feira….
no vazio da multidão sem pressa.)

ju rigoni (na barca, jun/79)

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