OVNI?…

Ainda era madrugada quando os quatro amigos entraram no carro para vencer os quarenta quilômetros da estrada de barro, sem qualquer iluminação, que separa a fazenda onde passaram o fim de semana da estrada principal. Estava muito escuro e João ligou o farol alto. Devagar, e aos trancos, devido aos buracos provocados pelas chuvas da semana anterior, conduzia o veículo, – com muito cuidado para evitar possíveis danos. Os demais ocupantes, sonolentos, ainda tentavam acomodar-se para tentar dormir um pouco mais.

Haviam percorrido cerca de oito quilômetros, quando João percebeu que, lá atrás, havia a luz de um farol muito alto. Mais alguém sofria na estrada esburacada tentando alcançar a via Dutra.

– Pô, que estupidez! O cara tá vendo um veículo à sua frente… Pra que um farol tão alto?…

Passaram-se poucos segundos e todos os passageiros foram despertados pelos gritos de João, que acelerava desesperadamente, agora ignorando qualquer perigo que a estrada rudimentar pudesse representar:

– Mas o que é isto???… O que está acontecendo?…

A luz do que João supunha tratar-se de um farol alto, estava agora bem próxima à traseira do carro. Assustados, coração em disparada, tentavam distinguir alguma coisa olhando para trás, mas eram “engolidos” por aquele incrível sol às três e meia da madrugada. Olhando na direção oposta, era possível ver nitidamente a estrada, – distinguir os diferentes tons de verde do mato que a ladeava, os buracos, a cerca de arame farpado que, provavelmente marcava os limites de alguma propriedade vizinha, enfim, tudo se via, segundo João e seus amigos, com nitidez superior até mesmo à luz do mais claro dos dias.

Sempre acelerando, João e os rapazes viram, apavorados, a tal luz mudar de posição. Agora, não parecia estar atrás do carro, mas acima dele. Tudo muito rápido. Alguém dentro do carro, quase grita:

– Meu Deus! Estamos tendo um contato com algo desconhecido…

José Luís, sentado no banco de trás, leva a cabeça até junto do vidro traseiro e olha para cima:

– Não acredito! Vocês estão vendo o que eu estou vendo? Olhem! Olhem!

Com exceção de João, que só pensava em sair da estrada de barro e chegar à via Dutra para estar junto de outros veículos terrenos e ganhar mais velocidade, todos os outros ocupantes, apesar do medo, colocaram-se em posição de modo a observar melhor o que estava lá em cima, – um objeto enorme, cujo diâmetro era impossível medir, – talvez um quilômetro, talvez um quilômetro e meio -, girava frenéticamente sobre o veículo em que estavam. E embora o carro seguisse em altíssima velocidade o ovni estava sempre lá, como que parado sobre eles, na mesmíssima posição.

Havia no centro do estranho objeto um foco de luz circular e azulada, cujo diâmetro crescia à medida em que se distanciava do ovni em direção à terra.. E ao redor dele, as tais luzes poderosas que, momentos antes, quando estavam a poucos metros do chão, incidiam violentamente sobre o carro e seus ocupantes.

Inquietos, apavorados, desesperados, iam seguindo seu caminho. Vez em quando, a tal nave girava em posição contrária. Quando isto acontecia, a luz do seu centro mudava para uma cor entre o vermelho e o laranja.

– Já estamos chegando!, – gritou João, ao ver a saída para a estrada.

Nem bem terminara de dizer a frase, o ovni movimentou-se em velocidade alucinante para a direita. Depois, para a esquerda. Sem emitir qualquer som. O silêncio com que deslocava-se era tão ou mais assustador que as luzes. Mas nada era tão apavorante quanto o seu tamanho. Em seguida, perdeu um pouco da altura, o que fez com que os rapazes, tremendo de medo, reavaliassem suas dimensões, e tomou de novo, passando – e desta vez bem mais lentamente – juntinho ao teto do automóvel, o rumo da direita.

Este foi o momento crucial, porque todos acreditaram que a tal nave, de forma circular, iria esmagá-los contra o chão. Estavam sendo apresentados, na prática, a um novo e inequívoco conceito de poder. Mas o ovni tomou um rumo contrário aos seus temores, e foi indo, indo, até que virasse um pontinho e sumisse, apagando-se, devolvendo os rapazes, agora muito bem acordados, à escuridão da madrugada que se tornaria inesquecível.

Já na Dutra, ainda se perguntavam se aquela “coisa” iria voltar. Estacionaram num posto de gasolina para ver gente, e para que João desse aos joelhos a oportunidade de pararem de tremer. Olhavam-se uns aos outros e, mudos, tentavam, cada um ao seu modo, compreender o que havia acabado de acontecer. Observavam as pessoas ao redor e sentiam-se estranhamente diferentes.

Por que foi dada a eles a oportunidade de viver tal experiência?

– Por que? – é a pergunta que até hoje, trinta anos depois, os amigos não cansam de fazer.

ju rigoni (Sem registro de data.)

Imagem obtida AQUI.

Este post foi publicado também em  Medo de Avião

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  1. 14/10/2008 às 17:23

    Amei!
    Beijinhos.

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