Nebulosas…

13/06/2010 3 comentários

 

Algum lume vaga
no pensamento;
fixo meu olhar
nas estrelas do céu de dentro…
Palavras cintilam,
e há uma outra lua,
em mil fases,
movimentando um mar
de esperas…

Como enfrentar
tantas
e tão estranhas marés?…

Mergulhada nesse mistério
não vejo a luz-guia, –
o farol…
Perdida,
afogo-me…
Sem salvação, –
e tentando acreditar
que, de lá,
alguém me olha -,
em mim
desapareço…

ju rigoni (2004)

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Até Quando?…

22/05/2010 3 comentários

O sangue deve correr nas veias
e não das teias
que o toureiro trama
e derrama
sobre a multidão,
– afiada espada
que ao touro tortura.

Não há banderillas
para cravar na memória
da crueldade pelo sorriso insano,
pelo grito que mata
toda nossa fé na humanidade.
Olé???

ju rigoni (sem registro de data)

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PalavrAção

16/05/2010 1 comentário


Palavras fomos.
Palavras somos.
Palavras seremos
quando serenos,
inertes,
na calmaria da morte,
alguém,
por sorte ainda vivo,
declarar,
alto e bom som:

– Que expressão tão tranquila!…

ju rigoni (sem registro de data)

Imagem obtida Aqui.

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Mi(m) Bordão

09/05/2010 2 comentários

Eu sou o traste
que pressionado
expõe o grave
da minha corda bamba
vibrando uma nota triste…

Queria tê-lo abraçado mais…
Deveria ter ouvido
também a voz do coração.
Resta-me conviver
com esse desafino…

Perdi meu diapasão…

ju rigoni (1981) – reeditado

foto google

Aqui, o carinho da amiga e poeta Eliane F.C. Lima em forma de poema.


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Sinal Amarelo

02/05/2010 3 comentários

Eu sou a cara
de pau
sem verniz,
que declara aos cupins,
e às brocas,
e a todas as pragas deste país,
que não admito lambidas.
Não me sugue, não me chupe;
não sou picolé ou sorvete.
Não me derreto ao calor
de poderosas línguas…
E não me fale em diplomacia.
Respeito sua casquinha de cultura…
Respeite a minha!
E faça uma leitura decente
do que se passa nesta casa, –
do que é varrido
para debaixo do tapete…
Me tire da sua reta,
que a estrada da realidade
é traçada em curvas,
não vive de encontros,
de sorrisos,
de flashes,
de marketing…

Por enquanto
só vejo pequenas frestas, –
esperanças -,
nenhum motivo
para tanta festa…

Verdade?
Por enquanto
não vejo ninguém…

Lá, ainda longe,
um magro talvez…

ju rigoni (sem registro de data)

Imagem obtida via google.

Clique aqui para ler o carinhoso presente de aniversário que recebi do meu amigo André L. Soares, um dos melhores poetas que tive o prazer de conhecer aqui, na rede.  André, mais uma vez, o meu beijo e o meu muito obrigada!

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Habemmus

25/04/2010 3 comentários

Olhe para ela
como quem nunca a viu.
Como quem vem do futuro,
ou de um passado longínquo;
de uma outra galáxia.

Olhe para ela assim,
redonda e vestida
de um azul úmido,
sensual.

Desfrute desse momento divino
em que apreende o conceito de sedução.

Não resista.
Assuma o leme.
Mude o curso original.
Siga em sua direção.
Vá indo, ou sendo levado, sugado…
Você não sabe,
nem interessa saber…

Depois de anos e anos-luz
de silêncio e escuridão,
finalmente uma cor
tranqüilizadora e linda.

Deus deve morar aí…

ju rigoni (1978)

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Assim, não!

04/04/2010 2 comentários

Puta! – ele reclama,
porque esbarrei noutro macho
que me pariu nova vida.

Não lhe dei explicação…
Dei-me, simplesmente,
a alguém que não ele.

Meretriz! – ele me chama.
Porque me meti noutra cama
tentando ser mais feliz.

Oh! Santa iniqüidade…
ser puta na minha idade!?
Por que não fui puta antes?

Coitado!
Foi tão humilhado;
não se faz isso com um homem…

ju rigoni (sem registro de data)

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