Um Amor de Família…

(fragmento)

Quando vó Dinha escreveu anunciando que vovô fechara negócio e que muito em breve viajariam ao nosso encontro, e pedindo que os filhos fossem “tratando de arranjar” uma casa onde eles pudessem morar, a prole reuniu-se lá em casa para discutir o assunto.

– Não vamos alugar ou comprar casa alguma para eles – decretou Tio Vaz. Eles têm muita idade e não devem mais morar sozinhos. Isto aqui não é o campo. Acho que eles poderiam muito bem morar com você Otávio.

Tio Otávio arregalou uns olhos deste tamanho…

– Comigo??? Ora essa, e por que não com você? Afinal, vocês não têm filhos nem qualquer preocupação do gênero… Podem muito bem ficar com eles.

– Por que está tão irritado, Otávio? Afinal, papai e mamãe têm financiado todas as tentativas de tirar o seu filho da prisão.

Tia Mercedes assumiu, e ficou firme em uma posição.
– Comigo não ficam, e ponto final. Mas acho que o Vaz tem razão, Otávio. Você deveria ficar com eles.

Tio Otávio apresentou outro argumento para a recusa.
– Os velhos nem vão estar muito bem lá em casa… Linda vive chorando pelos cantos por causa de Caco. Não é má vontade. É que, simplesmente, não há um ambiente adequado para eles.

Mamãe saiu do seu pedestal:
– Por que não fica com eles, Vaz? Não é você quem acredita que não podem mais morar sozinhos? E Otávio está certo; vocês não têm filhos!

– Mas, Teresa,… você conhece muito bem a minha casa. Não temos acomodações para eles. Estão acostumados a viver em grandes espaços…

E o constrangimento era geral.

Quando os quatro, dos cinco filhos de Vó Dinha e Vô Nhico, já estavam decididos a fazer exatamente o que Vó Dinha havia sugerido na carta, – “procurar uma casa para que morassem, mantendo a independência” -, papai, que a tudo assistira sem se manifestar, levantou-se, olhou para mamãe e disse:

– Teresa, seu Nhico e dona Dinha vão morar aqui conosco.
– Ora, José,… – mamãe parecia desesperada – você ficou louco, é?…

Mas papai já havia decidido. Deu as costas para a mulher e os cunhados e saiu calmamente da sala. Mamãe era prepotente e impulsiva ao tomar decisões. Papai, não. Pensava-as. E quando as tomava ninguém no mundo o faria voltar atrás.

Assim, vô Nhico e vó Dinha vieram para a minha casa. Sem perceber a crise que haviam gerado entre os filhos. E muito menos, que a sua batalha fora vencida por um general sem estrelas.

Estavam todos sorrindo quando meus avós desembarcaram. E só vendo como vó Dinha estava emocionada e agradecida pela “preocupação” dos filhos em não deixá-los morar sozinhos na capital.

– Viu como gostam da gente? – disse a Vô Nhico assim que ficaram a sós. Especialmente Teresa. E você sempre implicou tanto com ela… Imagine! Teresa quer que moremos com ela…

Vô Nhico permanecia com uma estranha expressão. Parecia bem mais que surpreso…

– Ainda acho que deveríamos procurar um lugar só para nós. Já estamos bem próximos dos teus filhos, Dinha. Eu diria… Próximos demais!…

ju rigoni (sem registro de data)

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